Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

Momento de humor

Um Conselho de Ministros extraordinário para lançar o novo ciclo político, mas mantendo Vítor Gaspar no Ministério das Finanças?

Terça-feira, 18 de Junho de 2013

Amanhã vamos oferecer notas de 500 euros

Neste tipo de jigajoga ninguém bate o CDS. O parceiro endiabrado pode fazer estes números de ilusionismo que o parceiro responsável não pode copiar. Coisa diferente é a credibilidade disto e se alguém ainda vai nesta conversa. Provavelmente vai. Olhando para os valores que a tropa de Sócrates escondida nas segundas filas de Seguro já obtém nas sondagens diria que tudo é possível. Muito em parte por responsabilidade de Passos Coelho, infelizmente.

Explicações simplistas, preconceitos, et al.

Os opositores da adesão da Turquia à UE viram nos acontecimentos das últimas semanas a 'confirmação' de que a democracia de Ancara não serve de modelo para a Primavera Árabe e que o seu acesso à Europa é um erro. No fundo, muito simplesmente  instrumentalizaram os acontecimentos de acordo com a narrativa que mais lhes convém.
Agora, veja-se o que se está a passar no Brasil. Estará o 'modelo' brasileiro estruturalmente em causa?  O Brasil, tudo o que conseguiu nos últimos 25 anos, deixou de ser um exemplo para a América Latina?
O que explica o copo meio-vazio no caso da Turquia e meio-cheio no do Brasil, para além de uma indisfarçável duplicidade de critérios?
Sugiro um exercício. Retirem de alguns textos que foram escritos nas últimas semanas as referências à Turquia e substituam-nas pelo Brasil. Veriam que não faria muita diferença. O que faz muita diferença são os preconceitos sobre o Islão e a democracia.

Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

Uma boa proposta

O PS aproveita -- e bem -- o espaço político oferecido pelas trapalhadas do Governo.

Listen very carefully, I shall say this only once! [20]

Mohamed Mansour Kadah, "Strategic Implications of the War in Syria" (IPRIS Viewpoints, No. 129, June 2013).

Zona euro não estará preparada

Continuando com o Financial Times, outro colunista que aprecio ler é Wolfgang Munchau que hoje nos diz isto: "Greece, Cyprus and Portugal all remain on an unsustainable path. So does Spain. What we can predict with a high degree of probability, however, is that once sovereign yields rise again, the eurozone will not be prepared."
Vale a pena ler o artigo na íntegra. Não sei se a zona euro estará preparada. Admito que o passado recente e parte do presente não inspiram muita confiança quanto ao futuro. É um facto. Quanto ao que nos toca na referência de Munchau, a verdade é que ninguém sabe se o actual caminho já é sustentável. O que José Sócrates nos deixou não era de certeza absoluta, facto que levou Teixeira dos Santos a bater com a porta.
Há indicadores, poucos ainda, que permitem ter alguma esperança, mas a realidade nua e crua é que muito depende de variáveis que Portugal não controla. E depois há o elefante na loja de cristais que é a dívida pública portuguesa e que, imagino, o Governo não pretende abordar antes do final do período de vigência da troika. Mas a questão da dívida pública é um problema grave. Mais tarde ou mais cedo a discussão que agora envolve timidamente apenas algumas figuras públicas -- Miguel Cadilhe, entre outros -- acabará por ter de ser assumida pelo Estado português. Esperemos que nessa altura a conjuntura europeia seja já mais favorável a uma abordagem política com outras características e outros equilíbrios.

Domingo, 16 de Junho de 2013

Uma dura lição

A propósito da entrevista de Delors a que fiz anteriormente referência, já agora lembrei-me deste artigo de Philip Stephens, um dos colunistas que mais gosto de ler no Financial Times:

"(...) Given that they [i.e. the Europeans] are unable to agree among themselves, I suppose it is a stretch to imagine Europeans might make common cause with the Americans. A proposed transatlantic trade and investment pact [TTIP] offers Europe an opportunity to avoid geopolitical irrelevance. But even before the starting gun has been officially fired, a pall has fallen over prospects for a deal. Europeans do not seem to understand they have by far the most to lose from failure. I heard many objections to the TTIP (...). Most came from the EU side. Beyond calls for protection of this or that sector, I sensed a more visceral hostility. Why should proud Europeans bend their national and cultural preferences to the wishes of bossy Americans? (...) What is missing from these disputes about genetically modified food, public procurement practices, cotton prices and the rest is sight of the bigger prize. Put together the TTIP talks with parallel negotiations for a Trans-Pacific Partnership and with a putative free-trade deal between Europe and Japan, and the story becomes one about the cohesion or otherwise of the world’s advanced democracies. One way of looking at the planned patchwork of deals is as a plot to lock out China; and the aim certainly is to continue to set norms and standards for the global economy. Another view, though, is that if western nations want to preserve an open, liberal and inclusive trading system, they must at least agree among themselves. A multilateral deal would have been preferable but, as was evident during the failed Doha round, it is out of reach. None of this is to suggest Europe should simply bow to US demands. There are plenty of areas where Washington will have to make painful concessions if a transatlantic accord is to be reached. There is no reason also why the two sides cannot agree to disagree on some of the most sensitive issues if there is substantive progress elsewhere. Europe has most to lose. The US possesses the economic and military strength and the natural resources to go it alone as a self-sufficient superpower. Europe faces the choice between cohesion and irrelevance. It has more to fear from an assertive China than cause to resent the US. Europeans can only hope that policy makers recognise the harsh facts of geopolitical life and put fights about chlorinated chickens into some perspective.
Philip Stephens, "China is giving Europe a harsh lesson in geopolitics" (Financial Times [online], 13.6.2013).

Descontando um círculo muito pequeno de pessoas, nada disto, ou muito pouco, é discutido em Portugal. No entanto, pelo menos em teoria, esta Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento é algo muito interessante do ponto de vista de Portugal. A concretizar-se seria uma excelente notícia, por razões de natureza política e geopolítica mas também económica. Voltarei seguramente ao assunto.

Leitura recomendada

A entrevista de Jacques Delors na revista do Público (pp. 20-25). Gente com uma outra experiência de vida e com uma outra sabedoria.

Juro que pensei... [2]

A propósito deste texto, escreveram-me alguns leitores dizendo esperar da minha parte um mea culpa depois de ler as declarações originais. Os ditos leitores partem, erradamente, do pressuposto de que não as li. Em todo o caso, pelo sim e pelo não, fui reler. Ora, no artigo da Lusa, confirma-se de facto que as declarações aparecem entre aspas, com isso querendo dizer que são clara e inequivocamente atribuídas ao líder do PS.
Estas sobre a média:
"Proponho que a UE estabeleça como objetivo para o ano 2020 que nenhum país possa ter uma taxa de desemprego superior à média europeia".
E estas sobre as sanções:
"E se a UE tem sanções para quem não cumpre as regras do défice e da dívida, por que razão não há-de ter uma sanção caso o desemprego não se situe, por exemplo, abaixo dos 11%, a média atual da UE".
Evidentemente, sem o registo áudio, não posso confirmar se as citações são fidedignas, mas não tenho razão nenhuma para pensar o contrário, nomeadamente porque não houve da parte do PS qualquer desmentido ou queixa quanto ao teor da transcrição jornalística.
Nada tenho, por princípio, contra a possibilidade de mutualização do pagamento dos subsídios de desemprego no espaço da UE. Mas a forma como António José Seguro introduz o tema e justifica a sua proposta é um desastre total, ficando no ar a percepção de que tudo aquilo teve antecipadamente pouca reflexão. O objectivo era só um: captar os holofotes da comunicação social. Seguro, de facto, captou-os, mas o tiro fez ricochete.
"Nenhum país pode ter uma taxa de desemprego superior à média europeia"?
Desculpe?
Uma sanção para quem tem desemprego superior a 11%?
Desculpe?
Seguro comete um erro de base e que é enquadrar -- e equiparar -- o combate europeu ao desemprego às "regras do défice e da dívida". A partir daí é uma cascata de disparates, muitas vezes sem qualquer lógica.
O líder do PS que faça o trabalho de casa, estude os dossiers, afine de alto a baixo a sua argumentação, e cá estarei para defender consigo uma proposta consistente sobre a mutualização do pagamento dos subsídios de desemprego. Quanto a sound bites disparatados, dispenso.

Sábado, 15 de Junho de 2013

Ler as folhas de chá, ou as borras de café

Agora as marchas populares têm um cunho político. A seguir, quem sabe, serão os concertos de Tony Carreira. O mundo mudou muito desde que a Ciência Política deixou de ser frívola.

Juro que pensei que...

...João Miranda estava a caricaturizar declarações de António José Seguro. Mas a realidade por vezes ultrapassa a ficção. Miranda limitou-se a citar, palavra por palavra, Seguro. Parece mentira, mas é verdade.

Serviços mínimos

Pedro Passos Coelho assumiu ontem a responsabilidade, caso seja necessário, de alterar a Lei da Greve para garantir os "serviços mínimos" nos exames nacionais. Não sou jurista e, portanto, não sei se será necessário alterar a Lei da Greve. Seja ou não, o primeiro-ministro deixou bem clara a sua posição política e é de política que estamos a falar. Ora, apesar das minhas fortes críticas à FENPROF, não tenho a certeza de acompanhar Passos Coelho na intenção de instaurar serviços mínimos na educação. O meu instinto, aliás, leva-me de imediato a discordar dessa intenção, independentemente da sua formulação e dos recorrentes excessos da FENPROF. E leva-me a discordar, quer do ponto de vista político, quer também do constitucional. Seria melhor que Passos Coelho não trilhasse esse caminho. Vale sempre a pena lembrar que o maior inimigo de Mário Nogueira é ele próprio, com tudo aquilo que tem feito à FENPROF. Aliás, a discussão de serviços mínimos na educação resulta já dos excessos de Mário Nogueira e das burrices acumuladas ao longo dos anos. E quanto a excessos chegam-nos os da FENPROF, não precisamos que Passos Coelho abdique do terreno político do bom senso.

O elogio devido

José Paulo Fafe tem toda a razão. Eu que não perco nenhum tempo com as secções desportivas dos jornais, de vez em quando dou comigo a ler as excelentes entrevistas de Rui Miguel Tovar no jornal i. Um elogio mais do que justo.

Uma dúvida

António José Seguro já esclareceu se concorda ou não com o facto de a greve dos professores abranger o dia dos primeiros exames nacionais, ou continua a tentar passar pelos pingos de chuva sem se molhar? Fugindo de forma inaceitável ao esclarecimento público sobre a sua posição nesta matéria? A que se deve o receio de clarificar a sua posição, tem medo de perder votos? É a conquista e a manutenção dos votos, e nada mais, que determina o seu comportamento político e o seu silêncio?

De acordo...

...com Aníbal Cavaco Silva.

João Pinto e Castro

Num sinal evidente de que as redes sociais fazem parte do nosso quotidiano há algum tempo, começa a tornar-se um facto recorrente perder a companhia de leitores e de colegas de blogues. Recordo a morte de Jorge Ferreira em 2009, ex-militante do CDS e na altura membro do PND, ele que era um blogger muito activo e que valia quase sempre a pena ler. Jorge Ferreira foi, sem qualquer margem para dúvida, uma mais-valia que se perdeu no espaço dos blogues que se interessavam e interessam pela discussão política em Portugal.
Acabo agora de tomar conhecimento com tristeza da morte de João Pinto e Castro, também ele um blogger de longa data, sempre empenhado na defesa dos seus pontos de vista, na discussão dos desafios e das alternativas. Nunca se proporcionou a oportunidade de o conhecer pessoalmente, mas era alguém com quem, independentemente das nossas recorrentes divergências de opinião, foi sempre possível conversar. A sua morte, para além da perda dolorosa que constitui para familiares e amigos, deixa mais pobre o espaço dos blogues de debate político em Portugal. Nada podemos fazer quanto a isso. Mas para memória futura fica o seu exemplo e a esperança de que o mesmo motive terceiros a intervir no espaço público. Era, seguramente, um legado de que teria orgulho.

Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

Resumindo e concluindo

António José Seguro vai a Paris reunir-se com um conjunto de pessoas -- com o intuito de procurar apoios para a renegociação do programa de ajustamento português -- cujo poder real e efectivo é nulo. Puro show para consumo interno, mas sem qualquer relevância prática. Ninguém leva a mal, mas também ninguém leva a sério estes números. É a vida.

Estamos contigo, pá

Caro Bini Smaghi, estamos contigo. Vai em frente.

Bom senso, precisa-se [2]

Eis que, afinal, o bom senso parece que acabará por prevalecer. Ainda bem.

O ministro da Economia...

...anuncia novos projectos. Perdão. Escrevi ministro da Economia? Queria escrever ministro dos Negócios Estrangeiros.